quinta-feira, 1 de julho de 2010

Olha nós aqui, de novo!

Junho (quando tardiamente nos conectamos com o mundo virtual) foi o mês para falarmos um pouco da nossa história. De como surgimos, de alguns escritos e sobre o nosso primeiro trabalho, Jogo de Cenas, que nos trouxe muito êxito e amadurecimento.

À partir deste mês, blogaremos sobre o nosso novo processo criativo: espetáculo poético experimental "HOMENS NÃO CHORAM" que integra a pesquisa continuada do PROJETO CÊNICO I, desenvolvida pelo grupo.

Apresentaremos nossa pesquisa, nossos núcleos, registros do nosso atual processo, enfim, tudo para termos esse espaço como ferramenta interativa...

Por essa noite é só... Vamos organizar o material para logo dispormos neste espaço!!

Para encerrarmos com chave de ouro, despedimo-nos com o poema abaixo.

Até breve,

Guilherme e Cria de Gonzaga...

José
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Carlos Drummond de Andrade - Poeta itabirano com o mundo na ponta da caneta

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